Um truque surpreendentemente simples com dois tachos promete salvar a situação.
Quem, ao fim da tarde, abre o congelador sabe bem o problema: o bife está duro como uma pedra, a família já espera e não há tempo para deixar tudo a descongelar durante horas no frigorífico. O método dos dois recipientes de metal está a ganhar popularidade na Internet porque dispensa micro-ondas e água quente - e, mesmo assim, a carne deverá ficar pronta para ir para a frigideira muito mais depressa.
Porque é que o descongelamento pode tornar-se um problema
Congelar não elimina as bactérias de forma definitiva; apenas as mantém inactivas. Assim que a temperatura volta a subir, os microrganismos retomam a actividade. No caso da carne, este processo acelera bastante quando o alimento fica demasiado tempo à temperatura ambiente.
Daí podem resultar intoxicações alimentares bem concretas. Os sinais mais comuns são:
- náuseas e vómitos
- diarreia
- cólicas abdominais
- febre e sensação geral de mal-estar
Crianças, grávidas, pessoas idosas e quem tem o sistema imunitário fragilizado reagem de forma especialmente sensível. Para estes grupos, um descongelamento pouco cuidado é mais do que um incómodo passageiro.
O método clássico no frigorífico - seguro, mas lento
Há anos que os especialistas recomendam o mesmo procedimento: a carne descongela com maior segurança no frigorífico. A temperatura mantém-se controlada e as condições são estáveis, o que abranda muito a multiplicação das bactérias.
O reverso da medalha é a demora. Para peças pequenas, é preciso contar com pelo menos duas horas; peças maiores, como assados, ficam muitas vezes no frio durante a noite até o centro amolecer. Existe ainda a alternativa do descongelamento em água fria: a carne é colocada num saco bem fechado, mergulhada numa taça com água fria e mexida ou com a água substituída de 20 em 20 ou 30 em 30 minutos. Desta forma, cerca de 500 gramas descongelam em aproximadamente meia hora.
Importante: a carne crua já descongelada não deve voltar a ser congelada. Deve ser bem cozinhada no prazo de 24 horas.
O truque dos dois tachos: descongelar carne com pressão e metal
O método que se tornou viral utiliza dois tachos grandes de metal ou duas caçarolas. O material é determinante: o metal conduz o calor muito melhor do que a madeira, o plástico ou o vidro. É precisamente essa capacidade de condução que este truque de cozinha aproveita.
Como funciona o truque dos dois tachos, passo a passo
- Separe dois tachos grandes de metal, limpos e secos.
- Vire um deles ao contrário e coloque-o sobre a bancada, com o fundo para cima.
- Disponha sobre esse fundo a carne congelada - de preferência em camada fina - idealmente no saco fechado de congelação ou na embalagem.
- Pouse o segundo tacho por cima, com o fundo virado para baixo, directamente sobre a carne, fundo contra fundo.
- Se quiser, encha o tacho de cima com um pouco de água para lhe dar mais peso.
O tacho de baixo absorve a temperatura ambiente e transfere-a para a carne, enquanto o tacho de cima faz uma ligeira pressão e melhora o contacto em ambos os lados. Ao mesmo tempo, o metal funciona como uma espécie de ponte térmica: leva a temperatura do espaço envolvente mais depressa até à superfície do alimento congelado.
No caso de bifes finos, escalopes ou hambúrgueres de carne picada, há utilizadores que relatam uma alteração perceptível ao fim de cerca de dez minutos; ao fim de pouco menos de meia hora, a carne costuma estar suficientemente maleável para ser cortada ou temperada sem dificuldade.
Quando o truque resulta bem - e quando é melhor não o usar
O método dos dois tachos funciona sobretudo com peças achatadas e não demasiado espessas. Bons exemplos são:
- bifes de vaca ou de porco
- escalopes de peru ou de frango
- peito de frango cortado em pedaços
- hambúrgueres de carne picada ou bolachas de carne moldadas
- filetes de peixe sem panado grosso
Em assados grandes, frangos inteiros ou blocos de carne muito grossos, o truque depressa atinge os seus limites. A parte exterior pode já estar macia e ligeiramente aquecida, enquanto o centro continua congelado. Isso aumenta o risco de as bactérias se multiplicarem à superfície antes de o interior sequer ter descongelado.
Também os legumes podem ser descongelados, ou parcialmente descongelados, desta forma, como, por exemplo, floretes de brócolos ou feijão-verde congelado. Já produtos mais delicados, como frutos vermelhos, acabam facilmente esmagados pela pressão do tacho e transformam-se em puré; nesses casos, compensa mais optar por um processo suave no frigorífico.
Higiene e segurança: no que deve reparar
Para que o truque dos dois tachos não lhe cause problemas, convém seguir algumas regras claras:
- Use apenas tachos limpos, sem restos de gordura nem resíduos de comida antiga.
- Descongele a carne, de preferência, num saco fechado para evitar que o líquido se derrame.
- Depois de descongelar, lave bem a bancada e os tachos com água quente e detergente da loiça.
- Processe a carne rapidamente e cozinhe-a muito bem.
- As pessoas mais sensíveis devem preferir o frigorífico ou a água fria.
O truque reduz o tempo de descongelamento, mas não substitui a cadeia de frio. Se a carne ficar demasiado tempo morna, o risco aumenta bastante.
Física na cozinha: por que motivo o metal actua tão depressa
Em comparação com muitos outros materiais, o metal tem uma elevada condutividade térmica. Em termos simples, a temperatura distribui-se muito mais depressa através dele. Quando um pedaço congelado de carne fica entre duas superfícies metálicas, as temperaturas igualam-se rapidamente. O tacho absorve calor do ambiente e transmite-o ao gelo no interior da carne.
A ligeira pressão do tacho superior faz com que a carne fique mais achatada e tenha uma área de contacto maior com a superfície metálica. Assim, o calor não chega apenas a pontos isolados, mas de forma mais uniforme à superfície. Se encher o tacho de cima com um pouco de água, aumenta o peso e reforça ainda mais este efeito.
O que pode correr mal com o micro-ondas e a água morna
Muita gente, quando está com pressa, vai logo para o micro-ondas. É verdade que ele actua depressa, mas aquece a carne de forma irregular: as extremidades e as zonas mais finas começam já a cozinhar, enquanto o centro permanece congelado. Isso altera a textura e o sabor, além de poder falsear o tempo de cozedura final.
Ainda mais arriscada é a água tépida ou quente. Nestas condições, grande parte das bactérias sente-se especialmente confortável. Os microrganismos encontram o ambiente ideal muito antes de a carne ficar totalmente descongelada no interior. Se depois não for cozinhada de forma rigorosa, o resultado pode ser problemático.
Exemplos práticos para o dia a dia
Cenário típico: durante a semana, às 19 horas, surge de repente vontade de comer massa com tiras de frango. O peito de frango está no congelador, dentro de um saco. Com o método do frigorífico, a refeição só estaria pronta, no mínimo, duas horas mais tarde. Com os dois tachos, ganha-se tempo precioso: a carne é cortada em tiras, colocada no saco, posta entre os tachos - e, ao fim de cerca de 20 a 30 minutos, já pode ser trabalhada sem dificuldade.
O mesmo acontece com hambúrgueres congelados ou escalopes finos de porco. Quem cozinha de forma espontânea com frequência pode dividir a carne em porções finas antes de a congelar. Quanto mais fina for a camada, mais depressa a ponte de metal faz efeito.
Onde estão os limites e que alternativas restam
Mesmo sendo um truque engenhoso, para grandes quantidades ou peças muito espessas o frigorífico continua a ser a opção mais fiável. Quem usa carne com regularidade no dia a dia faz bem em planear com antecedência e colocar a porção necessária no frigorífico logo de manhã ou na véspera.
Uma combinação sensata passa por deixar a carne descongelar parcialmente no frigorífico e, pouco antes de cozinhar, usar o método dos dois tachos para resolver os últimos pontos ainda duros. Assim, a maior parte do tempo decorre em condições seguras e frescas, enquanto o truque serve apenas para dar a flexibilidade final.
Quem quiser jogar pelo seguro com aves cruas ou carne picada deve recorrer de forma consistente ao frigorífico ou ao método da água fria. Nesse caso, o truque dos dois tachos é mais adequado para peças robustas, como bife ou filete de peixe, que vão directamente para a frigideira bem quente de seguida.
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