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Nova Volkswagen Passat eHybrid faz mesmo 120 km sem gastar gasolina

Carro familiar Volkswagen Passat eHybrid azul numa garagem com janelas grandes e vista urbana ao fundo.

Ainda há lugar para as carrinhas? A Volkswagen Passat mostra que sim, e os seus trunfos não se esgotam aí.


Durante muitos anos, as carrinhas foram a opção óbvia para as famílias europeias: práticas, espaçosas e preparadas para acompanhar diferentes fases da vida. Hoje, esse papel foi sendo diluído pela ascensão constante dos SUV, que juntam essas qualidades a uma posição de condução mais elevada.

Mas apesar de as carrinhas terem perdido protagonismo, continuam longe de perder relevância, e a Volkswagen Passat é prova disso mesmo. Disponível apenas na variante Variant, volta a afirmar-se como a escolha de quem continua a dar prioridade ao espaço, ao conforto e à eficiência, aliados a uma posição de condução mais baixa.

Mais do que apenas uma carrinha, a Passat assume-se como o topo de gama da marca de Wolfsburgo, com a missão de evidenciar o melhor que a Volkswagen tem para oferecer em qualidade, tecnologia e versatilidade.

Num mercado claramente dominado pelos SUV, conseguirá a maior carrinha da Volkswagen manter-se como opção válida para quem ainda acredita neste formato? Foi isso que procurei perceber nos dias em que convivi com ela - um modelo que, nesta unidade em ensaio, contava ainda com outro forte argumento: o sistema híbrido plug-in. Mas já lá vamos.

Visual que conquista

O design da Volkswagen Passat está longe de ser daqueles que nos deixam imediatamente rendidos. Em vez disso, vai-nos conquistando com o tempo, graças a linhas equilibradas e elegantes, sem soluções excessivamente ousadas, pensadas para agradar a um público alargado - e fá-lo muito bem.

Mas, como se costuma dizer, «gostos não se discutem». E não é propriamente no plano estético que este modelo pretende afirmar-se. A Volkswagen Passat foi concebida para ser um automóvel familiar, com espaço para tudo e todos, e é precisamente aí que a proposta alemã mais se destaca.

Nesta nona e, ao que tudo indica, última geração, está disponível exclusivamente como carrinha, tendo crescido em todas as dimensões, muito por culpa de a sua produção estar agora a cargo da Skoda, tendo na nova Superb a sua parente mais próxima.

Na prática, isso traduz-se em 4,917 m de comprimento (mais 14,4 cm do que a antecessora) e 1,849 m de largura (+ 2 cm), enquanto a altura se manteve nos 1,521 m. A distância entre eixos também aumentou 5 cm, fixando-se nos 2,841 m.

Grande por fora, gigante por dentro

Este crescimento tem, naturalmente, reflexos no interior. E não há forma mais direta de o dizer: é «gigante», sobretudo nos lugares traseiros, onde cruzar as pernas deixa de ser um exercício complicado.

Mas o espaço não se quer apenas na segunda fila. A bagageira está à altura do estatuto familiar deste modelo, com 510 litros ou 1770 litros com os bancos rebatidos. Já as versões exclusivamente a combustão anunciam entre 690 l e 2000 l, respetivamente. A diferença explica-se pela ausência da bateria sob o piso da bagageira.

No que diz respeito à qualidade dos materiais e da montagem, a Passat corresponde ao que se espera de um Volkswagen. A maioria das superfícies apresenta revestimentos agradáveis ao toque, incluindo os painéis das portas, o que revela atenção ao detalhe por parte da marca.

Nas zonas menos expostas, contudo, não há milagres. Aí surgem alguns plásticos mais modestos. Ainda assim, nada que comprometa a perceção global de qualidade no habitáculo.

Tecnologia na medida certa

No capítulo tecnológico, a Volkswagen Passat não embarcou na moda de encher o habitáculo de ecrãs, pelo que encontramos apenas os que considero indispensáveis: um de 10,25″ para o painel de instrumentos e outro de 12,9″ (ou 15″, em opção) para o sistema de infoentretenimento.

Se a quantidade de ecrãs me parece adequada, o mesmo já não posso dizer do número de botões físicos. Neste ponto, a Volkswagen continua a insistir no erro de oferecer poucos e de concentrar demasiadas funções no sistema de infoentretenimento.

Numa altura em que a segurança é uma das grandes prioridades dos automóveis modernos - basta olhar para a quantidade de sistemas de segurança e de apoio à condução atualmente disponíveis -, faz pouco sentido obrigar-nos a desviar o olhar da estrada para interagir com um ecrã onde estão reunidas funções tão básicas como a climatização.

Felizmente, a Volkswagen ouviu as críticas no que toca à usabilidade de algumas propostas mais recentes. O volante, que antes recorria a comandos hápticos, voltou a adotar botões físicos, e a experiência de utilização só tem a ganhar com isso.

Volkswagen Passat = conforto

São cada vez menos os modelos que oferecem uma gama diversificada de motorizações. Muitos enveredaram pela eletrificação total, outros ficaram pelo caminho e alguns limitaram-se a duas ou três opções.

A Volkswagen Passat segue uma via diferente. Sem tentar agradar a todos, disponibiliza as motorizações com maior procura: gasolina e gasolina mild-hybrid 48 V, Diesel e híbridas plug-in. E foi precisamente esta última que tive oportunidade de experimentar.

Com dois patamares de potência disponíveis - 204 cv e 272 cv -, foi com a versão menos potente que convivi durante alguns dias. Ainda assim, a diferença de 68 cv em nada prejudicou a experiência. Pelo contrário, é muito fácil esquecer que temos mais de 1,8 toneladas nas mãos.

A prestação é mais do que suficiente? Sim. Curva bem? Muito. Mas a verdade é que esse nunca parece ser o ritmo a que a Passat nos convida. Afinal, sendo um automóvel familiar, o seu propósito é ser um excelente estradista confortável, e nesse campo revela-se mesmo muito competente.

Não apenas ao nível do conforto de rolamento, mas também da insonorização, onde se posiciona efetivamente num patamar bastante elevado. E para isso contribuem bastante os vidros duplos dianteiros e traseiros, um opcional presente na unidade ensaiada.

Eficiência é «chave»

Mas tratando-se de um híbrido plug-in, a «cereja no topo do bolo» está longe de ser a potência. Na nova Volkswagen Passat eHybrid, a grande protagonista é a bateria: 25,7 kWh (úteis), o dobro da capacidade da geração anterior (13 kWh).

Em teoria, isso traduz-se em 126 km (WLTP) durante os quais quase nos esquecemos da existência de um motor de combustão. Na prática, porém, o resultado foi ainda melhor: percorri 133 km sem «acordar» o conhecido 1.5 TSI (img. acima) e fiquei com a convicção de que, com alguma moderação, é perfeitamente possível ultrapassar os 140 km, tal é a eficiência do sistema híbrido.

Quando a bateria se esgota, a Passat eHybrid passa a comportar-se como um full-hybrid, alternando entre o motor térmico e o elétrico de forma praticamente impercetível.

E se a autonomia elétrica surpreende, os consumos também estão ao nível do que se espera de uma proposta deste género. É em cidade que o sistema privilegia mais o modo elétrico, mas mesmo em autoestrada é bastante fácil manter médias abaixo dos 6 l/100 km.

Posto isto, e com todo o tipo de trajetos pelo meio, terminei o ensaio com cerca de 500 km percorridos e um consumo médio na casa dos 3,8 l/100 km.

Muito por «pouco»

Mesmo sem ter conduzido a versão mais equipada da gama - essa função cabe à variante R-Line -, a Volkswagen Passat oferece de série um nível de equipamento ajustado ao estatuto de modelo de topo. Já os preços, longe de serem exagerados, mantêm-se em linha com os da concorrência.

Para clientes particulares, e caso o sistema híbrido plug-in não seja obrigatório, o motor 1.5 eTSI de 150 cv surge como a opção mais equilibrada e acessível, com preços a partir dos 43 638 euros.

No contexto empresarial ou para ENI’s, a motorização ensaiada é aquela que melhor responde às exigências fiscais. Nesses casos, a Volkswagen Passat eHybrid está disponível desde 34 990 euros + IVA.

Especificações técnicas

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