Saltar para o conteúdo

Polícia apreende milhares de tabletes de chocolate em Brandenburg.

Mesa com várias barras de chocolate abertas e um polícia a analisar uma delas com luvas brancas.

Uma fiscalização de rotina numa estrada nacional no distrito de Prignitz acaba, para dois homens, num problema bem concreto. No automóvel em que seguiam acumulavam-se tabletes de chocolate, frutos secos e café em quantidades que, normalmente, só os grossistas movimentam. A polícia fala de uma suspeita de receptação - e de um valor de mercadoria na ordem dos quatro algarismos médios.

Fiscalização em Weisen: os agentes mal acreditam no que veem

A operação começa sem alarde. Na segunda-feira, uma patrulha em Weisen, uma localidade no distrito de Prignitz, trava um carro com dois ocupantes. Ao volante está um homem de 30 anos, ao lado segue o passageiro. O que parece uma simples verificação rodoviária transforma-se, em poucos minutos, num possível caso de furto organizado em estabelecimentos comerciais.

Quando os agentes inspecionam o interior do veículo, reparam na carga invulgar. Nos bancos, no espaço para os pés e na bagageira: géneros alimentares em caixas e sacos, bem arrumados, mas sem qualquer identificação de um supermercado ou grossista.

Mais de 1.100 tabletes de chocolate, além de centenas de embalagens de outros alimentos - a polícia considera a carga alegada mercadoria de proveniência ilícita.

O que a polícia encontrou no automóvel

A lista dos produtos apreendidos lê-se quase como o conteúdo de uma secção inteira de supermercado. A quantidade ultrapassa, em muito, aquilo que uma casa consome de forma normal.

  • cerca de 1.100 tabletes de chocolate de vários tipos
  • 286 embalagens de frutos secos
  • 72 embalagens de café
  • mais de 60 latas de conservas de peixe
  • grandes quantidades de pastilhas para a máquina de lavar loiça
  • enchidos em quantidade não especificada

Segundo a polícia, uma estimativa inicial aponta para um valor global de mercadoria na ordem dos quatro algarismos médios. Isto fica claramente acima do limiar que ainda seria classificado como «pequeno furto». Ainda não se sabe se os bens provêm de vários estabelecimentos ou de um único assalto de maior dimensão.

Suspeita de receptação: como avançam os investigadores

Como os dois homens não conseguem apresentar prova de propriedade - sem talões de compra, sem guias de entrega, sem documentação empresarial - os agentes avançam com a suspeita de receptação. Receptação designa bens que resultam de um crime e que depois são revendidos ou transferidos a terceiros.

Numa primeira fase, os polícias apreendem todos os produtos e levam-nos para uma esquadra, onde são catalogados. Em paralelo, os investigadores tentam ligar a carga a locais concretos. Para isso, comparam marcas, variedades e números de lote com denúncias recentes de supermercados e lojas de desconto.

Os alimentos ficam, por agora, à guarda da polícia. Só quando a origem for esclarecida de forma inequívoca poderão ser devolvidos aos legítimos proprietários ou - em casos excecionais - encaminhados para instituições sociais.

O que a receptação significa do ponto de vista legal

A receptação está regulada no Código Penal alemão, no § 259. Quem comprar, vender ou obter para si ou para outra pessoa um bem sabendo que ele provém de um ato ilícito comete crime. A lei prevê penas severas para esta conduta.

Crime Pena possível
Receptação multa ou pena de prisão até 5 anos
Receptação exercida de forma profissional em regra, penas de prisão significativamente mais elevadas

Para obter uma condenação, o Ministério Público tem de demonstrar que o arguido conhecia a origem criminosa da mercadoria ou, pelo menos, a aceitou com indiferença. A quantidade elevada, a mistura variada de produtos e a ausência de prova de propriedade costumam pesar fortemente contra os suspeitos em casos deste género.

Porque é que chocolate, frutos secos e café são tão procurados

Há já alguns anos que os alimentos e os artigos de drogaria têm um papel crescente na criminalidade ligada à obtenção de bens e ao quotidiano. São especialmente cobiçados os produtos fáceis de revender, com longa validade e usados em praticamente todas as casas.

Características típicas deste tipo de mercadoria:

  • longa conservação, como chocolate, conservas e café
  • boa reputação de marca ou de qualidade
  • fácil transporte sem ocupar muito espaço
  • revenda rápida e sem grandes perguntas no mercado informal

O chocolate e o café encaixam perfeitamente neste padrão: ambos se armazenam bem, têm um preço relativamente elevado e são comprados com regularidade por muita gente. Os frutos secos também entram nesta categoria, até porque encareceram bastante nos últimos anos.

Difíceis de travar: como atuam os grupos organizados

Para os comerciantes, esta forma de criminalidade representa um problema cada vez maior. Os grupos organizados atuam muitas vezes de forma repartida. Alguns elementos furtam a mercadoria em diferentes lojas, outros tratam do transporte, enquanto outros ainda organizam a revenda - muitas vezes através de redes informais ou grupos de chat encriptados.

A carga apreendida no distrito de Prignitz encaixa neste padrão: muitos artigos diferentes, todos em embalagens normais de consumo doméstico, mas em quantidades que nem uma compra de uma família numerosa alcançaria. Para os investigadores, é por isso plausível que os dois homens integrem uma estrutura mais ampla.

Quando aparecem muitos produtos idênticos, os investigadores suspeitam frequentemente de uma série de furtos em lojas - distribuídos por vários estabelecimentos e regiões.

Impacto nos consumidores e no comércio

Os prejuízos causados por furtos organizados e receptação acabam, muitas vezes, por recair indiretamente sobre os clientes. As associações do setor alertam há muito que as perdas provocadas por mercadoria roubada entram no cálculo dos preços. À medida que os furtos aumentam, cresce também a pressão sobre as empresas para compensarem os custos com preços mais altos ou cortes noutras áreas.

Os supermercados respondem com medidas adicionais de segurança: mais câmaras, etiquetas eletrónicas nas mercadorias, detetives especializados e saídas mais vigiadas. Isto pode aumentar o efeito dissuasor, mas também eleva os custos correntes das lojas. Ao mesmo tempo, alguns clientes honestos sentem-se cada vez mais desconfortáveis com esta vigilância intensa.

O que pode agora acontecer aos suspeitos

Os investigadores no distrito de Prignitz têm agora de apurar de onde vieram os alimentos. Se surgirem denúncias compatíveis, da região ou de cadeias com atuação nacional, os dois homens podem vir a enfrentar processos por receptação ou - consoante o seu papel - também por furto (em coautoria).

Para isso, os agentes analisam, entre outros elementos:

  • se existem participações recentes de furto em supermercados com uma lista de artigos semelhante
  • se as câmaras das lojas mostram pessoas suspeitas
  • se inscrições em caixas ou paletes permitem estabelecer a origem
  • se os dados dos telemóveis dos suspeitos provam contactos com conhecidos receptadores

Os produtos apreendidos servem não só como prova, mas também para avaliar a dimensão de eventuais furtos em série. Quanto mais clara for a proveniência, mais fácil será quantificar o prejuízo económico de cada empresa afetada.

Como os consumidores se podem proteger de mercadoria de proveniência ilícita

Para particulares, nestas situações surge a questão: como reconhecer que me estão, possivelmente, a oferecer bens roubados? Não existe um sinal totalmente seguro, mas há alguns indícios de alerta:

  • venda de produtos de marca muito abaixo do preço normal sem motivo convincente
  • venda a partir da bagageira, em parques de estacionamento ou em quintais
  • ausência de talão, fatura ou morada comercial
  • quantidades chamativamente grandes de artigos idênticos

Quem aceita este tipo de negócio pode, em certos casos, incorrer também em responsabilidade criminal. Quem compra conscientemente mercadoria de proveniência ilícita não só apoia criminosos, como também pode acabar em tribunal. O bom senso ajuda desde logo: se alguém oferece quilo após quilo de café de marca ou dezenas de tabletes de chocolate de marca por uns poucos euros, regra geral algo não bate certo.

O caso de Weisen mostra como produtos comuns podem, de repente, tornar-se objeto de processos criminais. Chocolate, frutos secos, café - para a maioria das pessoas, são apenas bens de consumo. Para grupos organizados, são mercadoria com elevada margem de lucro e risco reduzido, desde que ninguém os intercepte. Neste caso, a viagem dos dois suspeitos terminou, para já, numa simples fiscalização policial à beira da estrada.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário